bruno nobru
caminhos, espaços, raízes, rabiscos, galhos, retalhos, pontos, riscos...

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paisagens
la sistematizacion em pontuações
-silambuze quem quiser ler


as idéias estão pontuadas soltas, para voarem - o leitor cria seu sentido en su leitura...
(o ato de ler es tan inventivo quanto escribir)

a lei estabelece, mas a vida acontece na prática cultural e subjetiva
tenta-se ligar teoria e prática, porem ni siempre acontece
ha muchas colonizações – todos los días - por veces se discutem tabus sem quebrar tabus
normas atrapalham as vivências – o grupo se constrói por si próprio, e não por fora
aconteceram micro-faltas-de-respeito a diferenças enrustidas: e o tal do direito de decidir de cada um?
enquanto isso, eu vou devolvendo meus sentimentos com a mesma intensidade, porem por outras vias

fui percebendo a necessidade de equilíbrios:
entre momentos só e momentos coletivos
        momentos de estudo e de pausas
        momentos racionais e momentos espirituais
        momentos urbanos e momentos com a natureza
        momentos de turbulência e momentos de calmaria
        momentos humano e momentos animal
        vivencias tribais, místicas, e assim por diante...
conhecimento para mim é experiência e é só vivendo que vivimos
las experiencias mutam vivencias se não ficar solamiente na teoria
a saúde e a educação, para mim, têm de ser exercidas em liberdade
e há muito perigo nas receitas prontas de intelectualóides

estudo o outro pois ele me afeta e eu o afeto nas relações, mas a minha causa é a mim mesmo
a importância que dou ao outro se constrói pelo sentimento que estabeleço em vivencia,
não é por uma idéia de altruísmo ou de solidariedade

os conflitos vão caminhando para possibilidades de caminos e potencialidades
alguns momentos senti limitações, e percebi que desobedecer é essencial para viver bem e tener salud
por vezes a ‘não-participação’ es participativa – hay diferentes ramificaciones de participação
não há ´onde chegar´, mas o que caminhar... vivenciar e escolher os próximos caminhos nas passagens
cada um vive a sua paisagem, não somos iguais: todos os modos de subjetivação são lícitos
num certo momento todos queriam pular, lembrando que foder faz bem

eu crio a minha justiça na relação – sou eu mesmo minha sentença, meu juiz e meu juri
não ha uma liberdade, mas ideologias de liberdade
não ha uma espiritualidade, mas diferentes experiências espirituais
é tudo muito particular e subjetivo, cada estrela tem suas cores e movimentos
somos planetas, asteróides, estrelas, cometas e constelações em mutação constante

 

escrito em são paulo, 14 de febrero de 2008 (rev. em 07.03.08)
mesclando atividades, movimentos e reflexões do curso e pós-curso do cesep e colegas. tá bom.

 

 
clube da luta

"Você não é seu emprego ou o dinheiro que possui", "as coisas que você possui acabam te possuindo", tudo o que é preciso para esse sistema funcionar são de pessoas para produzir de um lado, e pessoas para consumir, de outro. Que o gasto com a produção seja baixo e o valor do produto, alto. O que gera o tal do lucro de alguns, fomentando a ganância. E, o pior de tudo, é que somos nós os que produzem e consomem, assim servimos de baterias condutoras desses processos. "Essa é a sua vida e está acabando a cada minuto".
Por que não consumir somente o que realmente precisamos? Por que consumimos qualquer coisa que a propaganda tenha veiculado aos nossos sentidos? Por que nos submetemos a trabalhar em serviços que não gostamos? Tyler diz que “A propaganda nos faz correr atrás de coisas e a trabalhar em empregos que odiamos para comprar porcarias de que não precisamos."
Isso tudo gera uma cultura do individualismo egoísta que exclui a existência do outro como pessoa, cada um quer se importar com seu dinheiro pois o que almeja são objetos a serem comprados, é o 'ter' e não 'ser'. "Você nem quer saber onde moro, o que sinto, como alimento meus filhos ou como vou pagar o médico se ficar doente”.
Não podemos esquecer que vamos morrer um dia que e a nossa vida terá sido sempre a mesma se não mudar a maneira de encarar as relações, e, quando morrermos não teremos mais nada de nada, principalmente não teremos nós mesmos – o que passamos por muito tempo deixando de lado. "Estamos arriscados a morrer a qualquer hora, a tragédia é que não morremos.".
“Fomos criados pela televisão para acreditar que um dia seríamos ricos, estrelas de cinema e do rock, mas não seremos, e estamos aos poucos aprendendo isso", Tyler Durden.


pouso alegre, outubro de 2008

 

ética, respeito e relações de poder

 
É preciso muito cuidado quando se fala em necessidade de respeito, de ética, de liberdade e de limites. Como se delimitar o que é respeito para um e para outro? Qual a liberdade que cada um é permitido de exercer a outrem? Qual o limite de cada um? Como agir com respeito com pessoas diferentes de mim?
Percebe-se que há um distanciamento entre respeitar e a necessidade de ser respeitado, pois são duas instâncias diferentes, ou seja, eu posso tratar pessoas de maneira que é respeitosa para mim, porém pode ser que essa minha maneira não seja a mesma que as pessoas com quem estou lidando aprenderam ser respeitosa. Um ato que para mim é de respeito pode ser interpretado como desrespeito.
Ética e respeito são, então, temas relativos – que possuem diferentes maneiras de se interpretar e de se relacionar por diferentes pessoas – diferenciam-se de acordo com o conteúdo cultural e subjetivo de cada sujeito. O que então diferencia uma relação de respeito para uma relação de desrespeito? Como ter o conhecimento prévio do que é respeito para cada pessoa para se agir respeitosamente? Como delimitar o que é respeito para mim a cada pessoa antes mesmo que ela me desrespeite?
As questões levam a difíceis respostas, principalmente por se tratarem de relações tão sutis, pequenas, complexas e difíceis de serem descritas, que muitas vezes não são dialogadas e sim delimitadas pelo exercício do poder. Muitas vezes o desrespeito acontece num olhar repressivo, numa punição, numa manutenção de uma tradição limitadora. Agora parece que o respeito está muito ligado à maneira em que se estabelecem e realizam as relações, os jogos de poder, a democracia, os espaços de cada um, o uso da autoridade, a repressão, etc.
A democracia é nos ensinada como justa mas, enquanto a maioria elege um candidato, a minoria têm de suportá-lo, e isso é justo? O que é justo então, a declaração universal dos direitos humanos? o cristianismo? o george bush? o pt? o anarquismo? o existencialismo? a psicanálise?
Nesse caso não encontro solução, definição se define então, sem definição..
 

pouso alegre, 18 de março de 2008
 

 
paisagens


Cada paisagem configura-se num todo pseudo-particionado, completo e faltoso, subjetivo e inconsciente, orgânico e concreto. São meros símbolos as palavras que tento utilizar para descrevê-lo, imperfeitos ideais de coisa, o que não é se [se aproximar] nem se [distanciar], mas tal-vez associar.
Descrever qualquer paisagem é um ato ingênuo, pois esta se vivencia, é uma experiência, não um conceito. Os comentários são com intenção de intensificar vivências, não para se guardar conceitos e ficar parado como um sábio-tolo.
Na arte, a paisagem pode ser associada às performances, onde se entrelaçam ações improvisadas; mixando poesias, músicas, danças, apresentações teatrais, pressupostos conceituais, ... O que a torna uma arte performática, uma arte de paisagens, cenas complexas, multifatores, rizomas e reações.
Um de meus eus percebe o quanto tenho eus que são meus e eus que não são meus, quem sabe um equilíbrio fosse uma saída, porém não sei mais o quanto me vale essas saídas ideais, antes fossem saídas práticas, simples, bobas.
Disto que se lê, o primordial é que se aplique na vida. E não é somente o que se vivencia, é isto inicialmente, para depois ser mais e mais forte e tornar-se outro.
De costume, não gosto de escrever muito. Os que escrevem muito parecem, muitas vezes querer dizer verdades, e não é isso o que pretendo, mas sim escrever para mim, sobre relações e vivências, relações sobre idéias de relações, relações entre idéias de verdade, mutações entre experiências práticas. Quando se escreve muito, se delimita idéias e vivências, cortes, tempos e vidas; ou se distancia por demais do que se pretende? parece ser como enxerga. O poder é subvertido quando não se exerce ou quando não se permite que seja exercido e nada mais para esse trecho. A estética que se costuma utilizar na escrita e no livro não é, pois, o que se parece com as revoluções tecnológicas e vivencias atuais. Como muito mudou e muito permaneceu, o que permaneceu se mantêm distante. O pragmatismo da linguagem mantêm paradigmas que já não se correspondem com as vivências, que se realizam em paisagens e em movimentos, que não se decodificam da mesma maneira que a repetida.
Regras sociais, valores, linguagens, amores e dores se estabilizam em pequenos grupos sociais: normas de seitas religiosas, de escolas, famílias, empresas, grupos de amigos. Porém na sociedade elas se multiplicam, se interferem, se chocam, se alteram, se decompõem, se transmutam e, de repente, já não são quase nada do que antes eram.
Não me vem ao caso que o outro pense ou diga que estou louco para com o que escrevo, é minha particularidade enquanto pessoa, minha diferença que está em questão, não um ‘conceito’ a ser defendido. Muitas vezes quando se diz algo à alguém a crítica se mantêm pois o outro é visto como ‘doutor de verdades’, como se esta fosse a função dos livros e da linguagem: enunciar verdades. Alguns ‘não concordam com o que escreveu o autor de tal livro’, ou ‘não concordam com o que diz o colega’. O autor escreve para ele, o outro fala para si mesmo, eu para mim e você para você; cada um sua visão de mundo diferente, cada um sua paisagem, sua brisa.
Perna cheia de picadas de insetos, pés sujos, acabei de lavá-los no tanque. O escritor não é o que pára em frente à folha, faz sua reflexão e escreve sua ‘idéia’ em palavras, mas escreve no intervalo do tempo, na fila do banco, na viagem de ônibus; é sujeito de outras vivências e escreve por outras circunstâncias. Não há anunciador de nada, o importante para mim agora é que quero tomar um pouco de café. Algo meu não se trata de uma verdade, mas de uma construção momentânea, uma brisa. Não agir por pressuposto talvez seja uma das condições para a liberdade, para um caminho outro... Não responder é, muitas vezes, mais libertário do que dizer algo... O simples fato de se cumprimentar alguém já exclui uma espécie de liberdade. Uma linguagem diferente pressupõe e propõe uma vivência diferente, única e liberta de outros pressupostos anacrônicos, ideais e 'a prioris'.
A construção que se busca com isso é a construção do nada, que deriva de uma paisagem [outra] experimentada. A escrita propõe um segmento, as vivências des-segmentam-se os segmentados. A voz do silêncio e as meditações do budismo tibetano proporcionam a escuta do que não há. Com uma tesoura pode-se cortar palavras que se interessa de um texto e personaliza-lo, desmonta-lo e remonta-lo da maneira que preferir. Enquanto alguns eus ficam de fora, os que se mostram aparentam ser o todo.
A descrição das paisagens, não termina, pois sai do texto para além, da imagem e da sensação momentânea, voa nas potencialidades que cada um socar. Onde há planta, há planta, onde não há, há planta em potencial. A paisagem está aí, a diferença brota do nada, e o que importa agora é brotar.
 

bruno, nobru e outros, 7 de março de 2007

 

sobre o trabalho educativo dialético


O trabalho educativo é uma atividade humana construtora da existência e da sociedade, através dele, criam-se maneiras de ser e agir no mundo. A sala de aula é um espaço de construção do que queremos para o mundo. Esse trabalho não deve ser um peso para os educadores, nem para os educandos, mas realizado por interesse em ensinar e interesse em aprender. Na sala eu não sou professor nem aluno, sou Bruno. Não deixo de ser eu ao entrar na escola.
A escola é um espaço de encontro humano, que promove comunicação através do diálogo, de direito de falar e dialogar, num processo de conflitos e construções. A atividade educativa deve proporcionar uma expansão na visão de mundo através de vivências transformadoras tanto para alunos quanto para professores, incentivando a criatividade, a imaginação e a experimentação. O trabalho é potencializador da existência humana e de seus jeitos de ser, onde são lícitas uma infinidade de maneiras de subjetivação, desde que conscientes e responsáveis por suas escolhas.
O processo educativo transforma a relação entre alunos e professores e conecta a aprendizagem na vida política e prática de cada um, criando novos contextos, novas maneiras de ser e agir, novas relações e diferentes possibilidades de se inserir no mundo. A metodologia deve se pautar por novas leituras da realidade, desligando-se da herança ditatorial e da submissão à alienação dos meios de comunicação de massa, e se sustentar num projeto libertador, fazendo uma análise sobre os seres humanos e suas maneiras de se inserir no mundo.
O trabalho dialético é totalmente diferenciado do trabalho da pedagogia tradicional, ele visa muito mais o contato das pessoas e o conflito humano vivencial, do que com normas institucionais limitadoras. A escola deve ser vista como espaço de construção e não como um espaço pronto, como disse o filósofo pré-Socrático, Heráclito de Éfeso, nada está pronto, tudo está em permanente construção e desconstrução e reconstrução.
A primeira tarefa do ensino dialético é desaprender as velhas tradições que destroem a verdadeira originalidade e o caminho da prática da dialética é a abertura para a plenitude da existência. A educação tradicional é uma educação de massa ela é fruto da economia de massa, da propaganda de massa e do mecanicismo. Na pedagogia dialética, é essencial o engajamento do estudante. O conhecimento parcial da pedagogia tradicional é um insulto à necessidade de integralidade e de diversificação da prática dialética
Os professores não possuem um saber maior do que os alunos, eles possuem saberes diferentes. A pedagogia dialética rompe com os papéis tradicionais de aluno e de professor: o que vale é a originalidade, onde não há dicotomia entre trabalho e lazer. Os recursos audio-visuais são meios, o que os facilita é a relação. Esse texto está em processo, tal como a vida...
 

maio de 2008
 

 

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