bruno nobru
caminhos, espaços, raízes, rabiscos, galhos, retalhos, pontos, riscos...

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tre-chos

 

bactérias, parasitas
dentro de mim
me substituem..
como a serpente abocanha
silenciosa e destrutiva
age adentro,
me adoece e paralisa
..mata lentamente

pouco importa que dia é hoje
parece ontem e anteontem..
[um comentário imbecil]
..surge vez ou outra
e o que se sente
já pouco se sabe,
- pouco se sente
pouco

 


 

  1 ano, 2 anos,
a vida vai passando
e os cães latem
a integridade se desintegra,
negligencia a noção de si
os caminhos vão - não-lineares

as escolhas decidem
seguir ou não
elas podem se associar
ou não
desprivo a baboseira da unidade
voando por multiplos espaços

o tempo de construir
também destrói
eu e você o fazemos o tempo todo
e podemos desfazê-los também



quem blá mais vai atrás
e o ser humano está
cada vez mais
cansado dele mesmo

 

 
 

as coisas vão se fazer fazendo..
em conexões entre pessoas e objetos
e conexões entre eu comigo mesmo

todos os modos de subjetividade são lícitos

cada um é um planeta
com espaços, territórios, expansões
voando sobre paisagens num pluriverso
acontecendo entre uma e outra vivência

a torrente faz rizoma com a vida
e nós fazemos rizoma com os pares
com os mares e o mundo
por mais imundo que este pareça ser

raízes, galhos e travessias,
o que acontece entre o nascimento e a morte
cada um com seu tempo de vida e de pausa

 

 

 
 

a escrita é uma expansão do indivíduo - do que é dele mesmo
não há limites para expandir e interiorizar
o tempo não se gasta, se vive
 
o título fica depois do texto
só depois da vivência que a descreve
não há como compactar algo que não foi
 
ou do contrário permanece
imerso na idéia do que não há 

 
 

 

todos gostam de mentiras
ela conforta e anestesia a vida

o corpo, como um todo, é influenciável
e ele influi no funcionamento dele próprio

não é pensando que falamos o que queremos
mas
sacando o que queremos
que fazemos o que sentimos
sem moral
porque a moral é inimiga
de meu eu autêntico

 
 

prelúdio


a melhor companhia para a leitura do que escrevo é a de si mesmo. não tenho nenhuma intenção em transmitir
alguma verdade e se você busca isso não é o que vai encontrar aqui - não é essa minha busca nem minha
caminhada
sugiro a escuta do silêncio e a leitura além das letras, sem buscar por conclusões apressadas, lendo sem pressa e aproveitando as pausas: reveja e escreva você também o que pensa, sente e quer enquanto lê: seja sincero contigo, não queira me agradar
não se cobre por ler nada, pois leitura e as vivências acontecem aos poucos, tal como a gente. não leia estas palavra como qualquer outras, pois não são qualquer.
os espaços em branco estão para serem apropriados, riscados, escritos, desenhados, etc
siga o caminho no teu próprio caminhar e na desobediência aos atos mais nocivos à si mesmo, tais como ceder vontades, se privar, viver no medo ou na mentira hipócrita. se permita a agir em favor próprio, pois há uma diferença entre fazer o que se quer e fazer o que outras pessoas e meios querem. uma coisa sou eu, outra são os outros (não-eu)
não é preciso entender o que é certo, bom, justo ou verdadeiro – basta seguir o fluxo das vivências e depois com calma, muita calma, sacar o que sentiu delas


 

  
 

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